Na História há o a.C. e o d.C.: antes de Cristo e durante Cristo. Durante, sim, e não depois! Não nos esqueçamos que Cristo vive. Estamos quase a celebrar esse preciso momento em que tudo mudou para sempre, tanto que passou a ser o marco a partir do qual contamos o tempo: a.C. e d.C..
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
2 de Dezembro
Advento - a aceitação da espera
O Advento convida-nos à conversão da nossa atitude fundamental face ao tempo. Alerta-nos para não nos gastarmos no esforço fútil de tentar vencê-lo, sacrificando constantemente a fruição do presente por um futuro sempre diferido e a que nunca chegamos. Em vez disso, pela aceitação serena da espera e a exploração da profundidade da expectativa, procura levar-nos à harmonia com o fluxo do tempo que vamos acolhendo e nunca podemos dominar. Desafia-nos a gozar do que já temos e, sem desistir dos nossos sonhos e desejos, antes pelo contrário, faz-nos perceber que não precisamos de ter imediatamente tudo o que desejamos, que a felicidade não está em transformar instantaneamente todo o desejo em realidade, mas em descobrir paulatinamente toda a espessura dos desejos mais fundos e deixar-se guiar por eles.
Esperar pelo que se deseja é oportunidade de aprofundar e purificar o desejo, de reconhecer a dimensão da falta sentida. Só valem verdadeiramente as coisas por que vale a pena esperar, mas só esperando por elas se descobre quanto valem verdadeiramente para nós. Como diz o Principezinho, “é o tempo que perdeste com a tua rosa que faz a tua rosa tão importante”. É na ausência sentida que se avalia a dimensão do desejado. Sem uma anterior convivência alargada com a necessidade, por não se ter chegado a advertir o tamanho do vazio que é preciso encher, qualquer satisfação será sempre superficial e por isso rapidamente descartada em favor da busca ávida de outra nova. Paradoxalmente, a espera, revelando-nos a dimensão da nossa indigência, é também aquilo que abre para a possibilidade de aproximação à plenitude profunda sustentadamente sentida e fruída. A espera põe-nos em contacto mais próximo com aquilo de que precisamos mas que não depende de nós, que tem que ser aguardado. Aprender a esperar em paz é reconhecer sem ansiedade os nossos limites, a verdade da nossa realidade. A temporalidade do nosso ser é a experiência que mais imediatamente nos recorda que somos criaturas: recebemo-nos a nós mesmos e, portanto, o nosso viver, para ser conforme com a realidade que somos, tem que ser mais acolhimento e resposta que projecto e controlo.
O Advento convida-nos à conversão da nossa atitude fundamental face ao tempo. Alerta-nos para não nos gastarmos no esforço fútil de tentar vencê-lo, sacrificando constantemente a fruição do presente por um futuro sempre diferido e a que nunca chegamos. Em vez disso, pela aceitação serena da espera e a exploração da profundidade da expectativa, procura levar-nos à harmonia com o fluxo do tempo que vamos acolhendo e nunca podemos dominar. Desafia-nos a gozar do que já temos e, sem desistir dos nossos sonhos e desejos, antes pelo contrário, faz-nos perceber que não precisamos de ter imediatamente tudo o que desejamos, que a felicidade não está em transformar instantaneamente todo o desejo em realidade, mas em descobrir paulatinamente toda a espessura dos desejos mais fundos e deixar-se guiar por eles.
Esperar pelo que se deseja é oportunidade de aprofundar e purificar o desejo, de reconhecer a dimensão da falta sentida. Só valem verdadeiramente as coisas por que vale a pena esperar, mas só esperando por elas se descobre quanto valem verdadeiramente para nós. Como diz o Principezinho, “é o tempo que perdeste com a tua rosa que faz a tua rosa tão importante”. É na ausência sentida que se avalia a dimensão do desejado. Sem uma anterior convivência alargada com a necessidade, por não se ter chegado a advertir o tamanho do vazio que é preciso encher, qualquer satisfação será sempre superficial e por isso rapidamente descartada em favor da busca ávida de outra nova. Paradoxalmente, a espera, revelando-nos a dimensão da nossa indigência, é também aquilo que abre para a possibilidade de aproximação à plenitude profunda sustentadamente sentida e fruída. A espera põe-nos em contacto mais próximo com aquilo de que precisamos mas que não depende de nós, que tem que ser aguardado. Aprender a esperar em paz é reconhecer sem ansiedade os nossos limites, a verdade da nossa realidade. A temporalidade do nosso ser é a experiência que mais imediatamente nos recorda que somos criaturas: recebemo-nos a nós mesmos e, portanto, o nosso viver, para ser conforme com a realidade que somos, tem que ser mais acolhimento e resposta que projecto e controlo.
Hermínio Rico, sj.
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
7 de Novembro
Tudo faz sentido, é só uma questão de tempo, silêncio e paz para o entender. Nem tudo o que é agradável é bom. Nem tudo o que é bom se nota. E, tal como escrevia Saint-Exupéry, o essencial é invisível aos olhos.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
10 de Junho
“Não te deixes levar pelo frenesim”
Os grandes homens, com dez vezes menos tempo, fazem dez vezes mais trabalho do que nós. Porquê? Sabem organizar-se; protegem, defendem ou são capazes de reconquistar a sua calma e, sobretudo, entregam-se totalmente a cada tarefa.
Não escrevas: «não tenho para ti nem um minuto; envio-te somente uma palavra...; desejaria...; etc.» Escreve imediatamente essa palavra, muito simplesmente; ganharás tempo e protegerás a tua calma.
Não digas a quem te procura: «Não te digo para te sentares porque tenho muita pressa..., etc.» e acabas por gastar um quarto de hora sem nada fazer. Manda-o entrar e sentar-se e atende-o calmamente durante uns dez minutos, dando-lhe a impressão de que lhe reservas um dia inteiro.
Pedem-te um encontro? Não comeces por protestar: «é impossível, estou comprometido..., etc.», acabando por marcar uma data. Diz com um sorriso: «Com todo o gosto» e oferece a primeira data livre, mesmo que esteja ainda longe.
Quantas vezes te dizem: «Não tive coragem de falar contigo noutro dia..., pois estava tão apressado»? É grave, porque muitos outros se aproximaram de ti, foram-se embora e nunca o disseram. Mas, naquele dia, precisavam mesmo de ti.
Ninguém confia no homem atarefado porque não tem tempo para receber ninguém; está super ocupado!
Se quiseres viver como irmão, mantém sempre a tua porta aberta e um ou dois quartos para acolher quem passa.
Tens muito tempo à tua disposição, mas passas o tempo a perder tempo.
Nunca ganharás tempo a fazer muitas coisas de cada vez. À mesa, quando enches os copos, enche-os uns a seguir aos outros. A vida, é preciso enchê-la minuto a minuto, de contrário alguns momentos ficarão a transbordar e outros praticamente vazios.
Repete muitas vezes: agora, só tenho esta pessoa a receber, só tenho que escrever esta carta. Agora, só tenho que fazer uma coisa, a que estou a fazer. Desta maneira, agirás muito mais depressa, muito melhor, com muito menos fadiga.
Dormir e distender-se não é perder tempo, é ganhá-lo. O apetite varia de uns para os outros, Precisas de te conhecer e de te atribuir exactamente o que é necessário para preservar o teu equilíbrio e a tua calma. Não comas de menos, serias subalimentado. Não comas de mais, serias glutão. Estás sobrecarregado de trabalho? Oferece o teu sono ou o teu descanso ao Senhor e fica em paz, não percas tempo.
O tempo é um belo presente que Deus nos deu. E vai pedir-nos contas exactas dele. Mas fica tranquilo, pois Deus não é um mau pai; não dá um trabalho sem dar os meios para o realizar. Há sempre tempo para fazer o que Deus nos manda fazer.
Quando não tens tempo para realizar tudo, pára uns momentos e faz oração. Depois faz um esquema de como empregar o tempo sob o olhar de Deus. O que lealmente não puderes realizar, deixa-o, mesmo que os homens insistam e não compreendam, porque Deus não to dá para fazer. Assim, nunca tens trabalho demasiado para fazer.
Quando descobrires o que Deus deseja ver-te fazer, deixa tudo e entrega-te por inteiro a esse trabalho, pois Deus está à espera, nesse momento, precisamente aí, e em nenhum outro lugar.
Michel Quoist, Construir, Lisboa, São Paulo, 1995, 93-95
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