Dia 23 de Dezembro é um dia especial para mim porque celebro a vida de três maneiras diferentes: um irmão que faz anos; um jantar tradicional de amigos, que se repete todos os anos com os mesmos de sempre; um grande amigo e uma grande amiga que fazem anos de namoro (e que em breve se irão casar). Celebro a vida que começou, a vida que desfruto, e a vida do que há-de vir. Bendito dia 23 de Dezembro, que todos os anos é festa, uma bênção e uma alegria. Graças a Deus, tudo graças a Deus!
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
15 de Dezembro
Na História há o a.C. e o d.C.: antes de Cristo e durante Cristo. Durante, sim, e não depois! Não nos esqueçamos que Cristo vive. Estamos quase a celebrar esse preciso momento em que tudo mudou para sempre, tanto que passou a ser o marco a partir do qual contamos o tempo: a.C. e d.C..
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domingo, 5 de dezembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
17 de Novembro
O post de hoje é apenas um pedido sincero. A quem ler isto, peço por favor que reze com força e querer a Deus pelo filho pequenino de um amigo meu, que está no hospital. Sem mais a acrescentar por hoje. Muito obrigado...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
18 de Outubro
Rezar pelo bem dos outros, até quando não os conhecemos, traz-nos também coisas boas. Quando amamos somos pessoas melhores. Deus é amor, e rezar é amar.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
30 de Setembro
Humaniza ou não humaniza?

Perdemo-nos às vezes em considerações sobre o que é, para nós e para os outros, o certo e o errado, esquecendo-nos que a pergunta que realmente nos faz andar para a frente é outra: humaniza ou não humaniza? Esta é a verdadeira e última questão. Isto que quero escolher torna-me mais eu próprio, mais Pessoa humana aberta aos outros e ao que me rodeia, mais Homem (Mulher) capaz de um Amor à maneira de Jesus Cristo, o homem mais Homem que conheço?
Claro que antes desta pergunta está o conceito de 'Pessoa Humana' que eu tenho para mim - o que é que me torna Pessoa Humana/o que é ser mais Pessoa? - e em última análise, quem eu sou agora e quem eu quero ser. Mas só no discernimento progressivo de tudo isto é que posso de verdade perceber que a realidade não é a preto e branco, e que a minha vida - e a dos outros - só pode ser julgada (valorada/pesada) a partir do Amor e de um olhar que perscruta fundo e que abraça e compreende e procura perceber qual é o melhor caminho para todos.
Perdemo-nos às vezes em considerações sobre o que é, para nós e para os outros, o certo e o errado, esquecendo-nos que a pergunta que realmente nos faz andar para a frente é outra: humaniza ou não humaniza? Esta é a verdadeira e última questão. Isto que quero escolher torna-me mais eu próprio, mais Pessoa humana aberta aos outros e ao que me rodeia, mais Homem (Mulher) capaz de um Amor à maneira de Jesus Cristo, o homem mais Homem que conheço?
Claro que antes desta pergunta está o conceito de 'Pessoa Humana' que eu tenho para mim - o que é que me torna Pessoa Humana/o que é ser mais Pessoa? - e em última análise, quem eu sou agora e quem eu quero ser. Mas só no discernimento progressivo de tudo isto é que posso de verdade perceber que a realidade não é a preto e branco, e que a minha vida - e a dos outros - só pode ser julgada (valorada/pesada) a partir do Amor e de um olhar que perscruta fundo e que abraça e compreende e procura perceber qual é o melhor caminho para todos.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
29 de Setembro
sábado, 18 de setembro de 2010
19 de Setembro
Da oração vem o silêncio,
Do silêncio vem o amor,
Do amor vem o serviço,
Do serviço vem a paz.
Do silêncio vem o amor,
Do amor vem o serviço,
Do serviço vem a paz.
Madre Teresa de Calcutá
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
1 de Setembro
O Evangelho fala-me de Jesus, da maneira como Ele se relaciona com outros, o que diz, o que faz... é através dele que posso 'crescer no conhecimento interno de Jesus, para mais O servir e amar.' Mas "como" ler o Evangelho? ...
... Eu gosto de fazer aquilo que se chama "leitura meditada": pego numa passagem da Bíblia, leio-a a primeira vez sem pensar no que é que me diz, só a parar para compor a cena, para imaginar a personagem, para entrar na história; depois leio a segunda vez e sublinho as palavras que mais me tocam (as "portas" para eu entrar no Evangelho); e depois vou lendo devagar e ficando no que essas palavras me dizem, a mim, na minha vida.
Esta semana fiz a experiência de ler a mesma passagem durante cinco dias seguidos, vendo o que em cada dia me chamava a atenção. Engraçado como o mesmo texto me pode dizer coisas tão diferentes cada dia :)
Para quem quiser fazer a experiência, aqui fica a passagem que estive a ler: João 5, 1-24.
A proposta é tu rezares este trecho estes sete dias e na próxima semana partilhamos o que nos tocou... alinhas?
Uma boa semana :)
... Eu gosto de fazer aquilo que se chama "leitura meditada": pego numa passagem da Bíblia, leio-a a primeira vez sem pensar no que é que me diz, só a parar para compor a cena, para imaginar a personagem, para entrar na história; depois leio a segunda vez e sublinho as palavras que mais me tocam (as "portas" para eu entrar no Evangelho); e depois vou lendo devagar e ficando no que essas palavras me dizem, a mim, na minha vida.
Esta semana fiz a experiência de ler a mesma passagem durante cinco dias seguidos, vendo o que em cada dia me chamava a atenção. Engraçado como o mesmo texto me pode dizer coisas tão diferentes cada dia :)
Para quem quiser fazer a experiência, aqui fica a passagem que estive a ler: João 5, 1-24.
A proposta é tu rezares este trecho estes sete dias e na próxima semana partilhamos o que nos tocou... alinhas?
Uma boa semana :)
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
22 de Julho
"Cada pessoa com quem me encontro traz consigo a sua carga complexa de subtis decisões. Cumprimento-a? Paro para falar com ela? Detenho-me um bom bocado, ou despeço-me logo? Mantenho-me reservado ou confio nela e desabafo? Mostro indiferença? Mostro interesse? Mostro afecto? Um enorme monte de decisões num encontro casual... se na verdade reparo e reajo vivamente, se me fixo nas pessoas e lhes dou importância e se me dou ao luxo de ser livre e espontâneo a cada momento. Se deixo passar essas oportunidades e me faço surdo à existência dos outros, perco a minha própria vitalidade, os meus dias convertem-se em rotina e vejo que afinal não faço outra coisa que não seja o dizer sempre o mesmo, às mesmas pessoas e no mesmo sítio e fazer sempre o mesmo, do mesmo modo e com o mesmo aborrecimento. Contudo, se reparo na diferença subtil de cada dia e de cada instante, se ajusto a minha livre reacção a cada pessoa e a cada caso, à cara, aos olhos, ao sorriso, ao jogo de luzes e ao dançar da brisa, ao momento presente e à sua profundidade eterna, então vou para a vida e entrego-me e gozo, e encontro-me a mim mesmo contribuindo para a tarefa redentora de libertar o mundo das cadeias da rotina. (...)
Toda a decisão tem o seu momento nas estrelas, na qual se enquadra, prospera e gera vida nova. Sinto a plenitude do tempo surgir dentro de mim. Entrego-me à maré. Inclino a minha cabeça, tomo a decisão, dou o sim e ofereço-o a Deus. Ele também inclina a sua cabeça, aceita e abençoa. Contacto de fé. Eu continuo alegre e decidido, fortalecido pela experiência vital duma eleição ao vivo. O dia foi consagrado."
Toda a decisão tem o seu momento nas estrelas, na qual se enquadra, prospera e gera vida nova. Sinto a plenitude do tempo surgir dentro de mim. Entrego-me à maré. Inclino a minha cabeça, tomo a decisão, dou o sim e ofereço-o a Deus. Ele também inclina a sua cabeça, aceita e abençoa. Contacto de fé. Eu continuo alegre e decidido, fortalecido pela experiência vital duma eleição ao vivo. O dia foi consagrado."
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
7 de Julho
Para hoje.
Fecho os olhos e trago da memória:
A imagem de um nascer/pôr-do-sol;
o sorriso daquela pessoa;
uma chávena de chocolate quente;
um refresco numa esplanada;
o abraço quente de um amigo chegado;
a voz terna daquela pessoa;
uma palavra de reconhecimento dita por alguém importante;
um almoço de Domingo com toda a família;
uma boa nota depois de muito estudo
...
Que hoje a minha oração seja fazer uma lista das coisas boas da minha vida, fechar os olhos, deliciar-me a contemplá-las e perceber como me são dadas gratuitamente... e agradecer. E depois lançar-me a este dia com essa consciência.
Fecho os olhos e trago da memória:
A imagem de um nascer/pôr-do-sol;
o sorriso daquela pessoa;
uma chávena de chocolate quente;
um refresco numa esplanada;
o abraço quente de um amigo chegado;
a voz terna daquela pessoa;
uma palavra de reconhecimento dita por alguém importante;
um almoço de Domingo com toda a família;
uma boa nota depois de muito estudo
...
Que hoje a minha oração seja fazer uma lista das coisas boas da minha vida, fechar os olhos, deliciar-me a contemplá-las e perceber como me são dadas gratuitamente... e agradecer. E depois lançar-me a este dia com essa consciência.
Um bom dia a todos :)
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
1 de Julho
"Duas espadas não cabem numa bainha. Escolhe a tua arma e luta com ela. Escolhe o teu senhor e serve-o fielmente. Não duvides, não atrases, não esperes. Desterra as meias tintas da tua vida e decide-te a fazer as coisas de Deus."
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
24 de Junho
"Esforçai-vos para vos reunirdes com maior frequência para dar graças e louvar a Deus. Pois, quando vos reunis frequentemente, as forças de Satanás são derrubadas e os seus malefícios destruídos pela unanimidade da vossa fé. Nada supera a paz, que triunfa sobre todos os assaltos das potências celestes ou terrenas.
Nada disto vos será desconhecido se tiverdes em Jesus Cristo uma fé e um amor perfeitos, que são o começo e o fim da vida: o começo é a fé, e o fim a caridade. As duas reunidas são Deus. Todas as outras virtudes que conduzem à perfeição procedem das duas primeiras. Ninguém peca enquanto professa a fé; ninguém odeia enquanto possui a caridade. "A árvore conhece-se pelos seus frutos"; do mesmo modo, reconhece-se quem professa ser de Cristo pelas suas obras. Porque a obra que nos é pedida hoje não é uma simples profissão de fé, consiste em praticá-la até ao fim. Vale mais calar e ser, do que falar sem ser. É bom ensinar, quando se faz o que se diz. Temos apenas um mestre, aquele que "disse e tudo foi feito" (Sl 32, 9), mesmo as obras que fez em silêncio são dignas de Seu Pai. Quem compreende verdadeiramente a palavra de Jesus pode entender também o Seu silêncio; será perfeito se agir conforme o que diz e será reconhecido pelo seu silêncio. Nada se oculta ao Senhor; até os nossos segredos Lhe são familiares. Por conseguinte, façamos tudo pensando que Ele habita em nós; seremos templos Seus e Ele será em nós o nosso Deus."
Nada disto vos será desconhecido se tiverdes em Jesus Cristo uma fé e um amor perfeitos, que são o começo e o fim da vida: o começo é a fé, e o fim a caridade. As duas reunidas são Deus. Todas as outras virtudes que conduzem à perfeição procedem das duas primeiras. Ninguém peca enquanto professa a fé; ninguém odeia enquanto possui a caridade. "A árvore conhece-se pelos seus frutos"; do mesmo modo, reconhece-se quem professa ser de Cristo pelas suas obras. Porque a obra que nos é pedida hoje não é uma simples profissão de fé, consiste em praticá-la até ao fim. Vale mais calar e ser, do que falar sem ser. É bom ensinar, quando se faz o que se diz. Temos apenas um mestre, aquele que "disse e tudo foi feito" (Sl 32, 9), mesmo as obras que fez em silêncio são dignas de Seu Pai. Quem compreende verdadeiramente a palavra de Jesus pode entender também o Seu silêncio; será perfeito se agir conforme o que diz e será reconhecido pelo seu silêncio. Nada se oculta ao Senhor; até os nossos segredos Lhe são familiares. Por conseguinte, façamos tudo pensando que Ele habita em nós; seremos templos Seus e Ele será em nós o nosso Deus."
Santo Inácio de Antioquia, comentário ao Evangelho de São Mateus (Mt 7, 15-20)
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
17 de Junho - II
II
Há. Depois da escolha abraçada, da persistência e do empenho e de ter dado o meu máximo por aquele projecto, por aquela pessoa, por aquele curso pelo qual inicialmente me apaixonei, o desejo aprofunda-se, a vontade espessa-se e eu também me vou sentindo confirmada ou não na minha decisão. E são esses sinais continuados de confiança e paz que me dizem que a minha vida naquele momento passa por ali - ou o contrário me diz que não.
E não há lugar para dúvidas? Para discernimento? E para descobrir que afinal não é por ali?
Há. Depois da escolha abraçada, da persistência e do empenho e de ter dado o meu máximo por aquele projecto, por aquela pessoa, por aquele curso pelo qual inicialmente me apaixonei, o desejo aprofunda-se, a vontade espessa-se e eu também me vou sentindo confirmada ou não na minha decisão. E são esses sinais continuados de confiança e paz que me dizem que a minha vida naquele momento passa por ali - ou o contrário me diz que não.
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17 de Junho - I
I
Entre "Tive um mau dia" e "Sinto que estou a ter um mau dia" a diferença é subtil, mas existe. Posso ter estado à mesa a estudar durante três horas e sentir no final que não valeu de nada, mas no dia seguinte voltar e ver que afinal até sei a matéria que estive a estudar no dia anterior. Ou estar num café com uma pessoa e sair de lá a sentir que não consegui dizer uma frase decente, mas chegar a casa e ter no telemóvel uma mensagem a agradecer pela óptima conversa.
Na vida cristã, é quando me apercebo que o que eu vejo não é tudo (ou se calhar nem um décimo da verdade das coisas) que começa a tomar forma uma outra dimensão de entendimento da realidade, a da confiança. A confiança não está tanto no eu agir baseada num sentimento de que Deus está comigo, mas sim - e se calhar até mais - quando eu sinto o quarto vazio e mesmo assim rezo um Pai Nosso. Ou quando tenho a sensação de que o estudo ontem não rendeu, e hoje também não, e no dia seguinte não corre bem na mesma, e mesmo assim persisto porque quero levar para a frente, também na dificuldade, aquele que eu escolhi ser o meu curso. Ou o rumo do meu relacionamento com os meus pais. Ou aquele projecto que abracei no início do ano.
"Tenho um amigo meu que é mergulhador em profundidade. Ele contava-me que, às vezes, quando ele e os amigos mergulhavam fundo demais, a membrana do tímpano rompia e eles ficavam sem a mínima capacidade de orientação. Ora, quando isso acontece, como é que os mergulhadores voltam à superfície, sem conseguir perceber se estão a subir ou a descer? Seguem as bolhas de ar. E este meu amigo dizia-me: "E sabes o que é mais assustador? É eu estar a seguir as bolhas de ar em direcção à superfície e ter a nítida sensação de que estou a descer."
Na vida cristã, é quando me apercebo que o que eu vejo não é tudo (ou se calhar nem um décimo da verdade das coisas) que começa a tomar forma uma outra dimensão de entendimento da realidade, a da confiança. A confiança não está tanto no eu agir baseada num sentimento de que Deus está comigo, mas sim - e se calhar até mais - quando eu sinto o quarto vazio e mesmo assim rezo um Pai Nosso. Ou quando tenho a sensação de que o estudo ontem não rendeu, e hoje também não, e no dia seguinte não corre bem na mesma, e mesmo assim persisto porque quero levar para a frente, também na dificuldade, aquele que eu escolhi ser o meu curso. Ou o rumo do meu relacionamento com os meus pais. Ou aquele projecto que abracei no início do ano.
"Tenho um amigo meu que é mergulhador em profundidade. Ele contava-me que, às vezes, quando ele e os amigos mergulhavam fundo demais, a membrana do tímpano rompia e eles ficavam sem a mínima capacidade de orientação. Ora, quando isso acontece, como é que os mergulhadores voltam à superfície, sem conseguir perceber se estão a subir ou a descer? Seguem as bolhas de ar. E este meu amigo dizia-me: "E sabes o que é mais assustador? É eu estar a seguir as bolhas de ar em direcção à superfície e ter a nítida sensação de que estou a descer."
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
10 de Junho
“Não te deixes levar pelo frenesim”
Os grandes homens, com dez vezes menos tempo, fazem dez vezes mais trabalho do que nós. Porquê? Sabem organizar-se; protegem, defendem ou são capazes de reconquistar a sua calma e, sobretudo, entregam-se totalmente a cada tarefa.
Não escrevas: «não tenho para ti nem um minuto; envio-te somente uma palavra...; desejaria...; etc.» Escreve imediatamente essa palavra, muito simplesmente; ganharás tempo e protegerás a tua calma.
Não digas a quem te procura: «Não te digo para te sentares porque tenho muita pressa..., etc.» e acabas por gastar um quarto de hora sem nada fazer. Manda-o entrar e sentar-se e atende-o calmamente durante uns dez minutos, dando-lhe a impressão de que lhe reservas um dia inteiro.
Pedem-te um encontro? Não comeces por protestar: «é impossível, estou comprometido..., etc.», acabando por marcar uma data. Diz com um sorriso: «Com todo o gosto» e oferece a primeira data livre, mesmo que esteja ainda longe.
Quantas vezes te dizem: «Não tive coragem de falar contigo noutro dia..., pois estava tão apressado»? É grave, porque muitos outros se aproximaram de ti, foram-se embora e nunca o disseram. Mas, naquele dia, precisavam mesmo de ti.
Ninguém confia no homem atarefado porque não tem tempo para receber ninguém; está super ocupado!
Se quiseres viver como irmão, mantém sempre a tua porta aberta e um ou dois quartos para acolher quem passa.
Tens muito tempo à tua disposição, mas passas o tempo a perder tempo.
Nunca ganharás tempo a fazer muitas coisas de cada vez. À mesa, quando enches os copos, enche-os uns a seguir aos outros. A vida, é preciso enchê-la minuto a minuto, de contrário alguns momentos ficarão a transbordar e outros praticamente vazios.
Repete muitas vezes: agora, só tenho esta pessoa a receber, só tenho que escrever esta carta. Agora, só tenho que fazer uma coisa, a que estou a fazer. Desta maneira, agirás muito mais depressa, muito melhor, com muito menos fadiga.
Dormir e distender-se não é perder tempo, é ganhá-lo. O apetite varia de uns para os outros, Precisas de te conhecer e de te atribuir exactamente o que é necessário para preservar o teu equilíbrio e a tua calma. Não comas de menos, serias subalimentado. Não comas de mais, serias glutão. Estás sobrecarregado de trabalho? Oferece o teu sono ou o teu descanso ao Senhor e fica em paz, não percas tempo.
O tempo é um belo presente que Deus nos deu. E vai pedir-nos contas exactas dele. Mas fica tranquilo, pois Deus não é um mau pai; não dá um trabalho sem dar os meios para o realizar. Há sempre tempo para fazer o que Deus nos manda fazer.
Quando não tens tempo para realizar tudo, pára uns momentos e faz oração. Depois faz um esquema de como empregar o tempo sob o olhar de Deus. O que lealmente não puderes realizar, deixa-o, mesmo que os homens insistam e não compreendam, porque Deus não to dá para fazer. Assim, nunca tens trabalho demasiado para fazer.
Quando descobrires o que Deus deseja ver-te fazer, deixa tudo e entrega-te por inteiro a esse trabalho, pois Deus está à espera, nesse momento, precisamente aí, e em nenhum outro lugar.
Michel Quoist, Construir, Lisboa, São Paulo, 1995, 93-95
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