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domingo, 19 de dezembro de 2010

18 de Dezembro

Foi então que perguntaram à Carolina,
- Qual é, afinal, o sorriso mais bonito?
- É aquele que tem rugas - respondeu, sorrindo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

8 de Novembro

Meu irmão da rua, envergonho-me das vezes em que te ignoro, de entre as tantas que nos cruzamos. Já soube o teu nome, mas não liguei e esqueci-me. Sou igual a ti, mas por vezes ajo como se fosse superior, e é nesses momentos que me torno miserável. Fico arrogante, encho os pulmões de ar, mas eles não aguentam muito tempo, o ar escapa-se, e eu volto a ficar a nu, como tu. Às vezes tenho um aspecto mais arranjado, e cheiro melhor porque tive a oportunidade de tomar um banho de água quente em casa, neste dia frio de Inverno. Mas de que me serve ter mais músculos, mais beleza aparente, e mais cursos universitários que tu, meu irmão... se tu vês Cristo em mim e eu nem reparo que Ele está em ti? Faltam-te pernas, mas tens as asas da liberdade e voas. Já eu, tenho as duas pernas: uma em cada grilheta. Assim que eu vir Deus em ti, talvez te preste mais atenção e aprenda algo. Pode ser que me ajudes a ser uma pessoa melhor.

Quando alguém nos pede uma coisa, não lhe estamos apenas a fazer um favor... é que, na verdade, precisamos mesmo um do outro.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

8 de Setembro

A maior desgraça da pornografia não é o mostrar coisas a mais. Antes pelo contrário, o grande problema da pornografia é que mostra muito pouco. Vemos o corpo, mas não vemos a pessoa. A pornografia mostra sexo, mas tapa o amor. É este tapar, este esconder do amor, esta falta de transparência perante a sexualidade que nos impede de admirar a verdadeira nudez, que é bela e pura. O grande problema da pornografia é que reduz a sexualidade a impulsos sexuais onde não há espaço para o amor. Assim, quem consome pornografia sofre consequências devastadoras na sua relação com Deus, com os outros, e consigo mesmo. Porquê? Porque Deus é amor, e alienámos o amor. Porque devíamos amar puramente quem nos rodeia, e turvámos o amor. E já nem para nós olhamos com amor, porque o nosso olhar se deixou toldar por paixões que nos controlam, em vez de serem por nós governadas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

3 de Maio


Era uma vez uma criança que numa bela tarde de sol, teve de ir à catequese. O dia estava demasiado bonito e a vontade de ficar fechada numa sala era nula. Então pensou "vou fugir e vou passar a tarde no jardim, a olhar para o verde da relva, as nuvens do céu, o brilho da água no lago com os peixinhos dourados. Vou fechar os olhos e sentir o sol e o vento bater-me na cara, e ficar apenas assim, em paz!"
Assim, enquanto saía de casa, mudou de direcção a meio do caminho. Com azar, encontrou o seu pai, que lhe perguntou onde ia. O pobre rapaz teve de lhe explicar que estava a fugir. Para grande surpresa sua, o pai decidiu "fugir" também com ele, e acompanhou-o até ao jardim. Quando estavam os dois deitados na relva, e o míudo sem perceber nada, perguntou: "Pai, afinal porque vieste comigo?"
- Olha, também gosto às vezes de fugir do meu dia-a-dia e vir apenas contemplar a Natureza! Já te ensinaram a rezar na catequese, não é?
- Sim, já sei algumas orações, e os mandamentos, e que tenho de ir à Missa aos Domingos, e que devo sempre ser obediente e além disso, desconfio que tenho de parar de mandar pastilhas elásticas para o cabelo da Mariana na aula de matemática...
- Meu filho tudo isso é verdade e está muito certo. Só que sabes, quem procura paz procura Deus também! Rezar pode ser dizer uma Avé-Maria, mas também pode ser olhar para uma paisagem bonita e sorrir agradecendo. Deus não é um conjunto de obrigações. Deus é quem mais gosta de nós no mundo, e por isso está sempre connosco! Tu hoje quiseste fugir para aqui, então eu também quis vir contigo, para estarmos aqui um bocadinho os três. É que Jesus veio também!

segunda-feira, 22 de março de 2010

22 de Março

Tudo o que é espiritual é abstracto e distante, tudo muito bonito e profundo mas dá um sono imenso. De um lado completamente oposto, está tudo o que é físico/corporal. Duas coisas diametralmente opostas.

Será? Não me parece nada.

A dimensão corporal do ser humano entrou pela porta principal no caminho para conhecer Deus, a partir do momento que Ele próprio encarnou. Disse-nos também, "este é o Meu Corpo, tomai e comei". Assim, recebemo-lO também no nosso corpo, quando comungamos.

Como expressamos por exemplo, o nosso amor pela nossa mãe? De uma maneira abstracta e distante? Como é que ela pode saber que o nosso espírito está ali à frente dela? Porque vê o nosso corpo. Este tem uma propriedade curiosa: torna visível o invisível.

sábado, 2 de janeiro de 2010

1 de Janeiro

Uma acção inspirada por Deus sempre comporta em si mesma uma profunda beleza. Há acções vãs que nos fascinam como jóias brilhando com a luz que reflectem. Mas a profunda beleza está naquela e naquele que levam Deus consigo, pois brilham como farol na escuridão, com a sua própria luz, ajudando os irmãos marinheiros a evitar perigos e a chegar ao bom porto. O seu brilho vem de dentro porque a bondade que Deus lhes inspira é profunda, não superficial. Estas acções tornam-nos melhores pessoas e, quando há o hábito da sua repetição, a elas lhes chamamos "virtudes".

AVC